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Sondagem dos saberes



…”Uma bela imagem para um mestre! Uma bela imagem para o

educador: fazer esquecer para fazer lembrar!”

O sapo - Rubem Alves



“Puxa eu sei muitas coisas! Nunca ninguém me disse isso”, afirma Marília ao participar do processo de sondagem realizado pela equipe pedagógica do Instituto UNO. A adolescente tem 13 anos, vive em situação de acolhimento, apresenta defasagem escolar e não costuma ter seus saberes reconhecidos, seja pelos outros, seja por ela mesma. Ao perceber que sabe muitas coisas, Marília irá se colocar diante do processo de aprendizagem de uma nova maneira, curiosa e interessada. Resgatando sua vontade de aprender, terá oportunidade de construir novos conhecimentos e superar suas defasagens.


As sondagens realizadas pelo UNO são encontros individuais entre uma pessoa da equipe pedagógica e uma criança ou adolescente do Serviços de Acolhimento. Nesses encontros, o principal objetivo é criar um ambiente seguro e acolhedor para que a criança e o adolescente mostrem não só seus conhecimentos, mas também seus interesses. Esse é o ponto de partida para um trabalho conjunto no qual os saberes e a curiosidade de cada participante são fundamentais para o desenvolvimento do processo de aprendizagem.


Uma das sondagens do "Quero Saber ..."

As crianças e os adolescentes que ainda não se apropriaram do sistema de escrita alfabética participam do “Quero Saber...”. É importante ressaltar que, embora não saibam ler e escrever de maneira convencional, eles formulam hipóteses importantes sobre o sistema de escrita. Essas hipóteses são detectadas nas sondagens e indicam os caminhos para sua alfabetização.


As sondagens para verificar as hipóteses de escrita seguem um protocolo específico que promove o desenvolvimento da escrita de forma natural. Por exemplo, é importante ter o aporte de imagens, que a criança conheça o que vai escrever, que as palavras pertençam ao mesmo grupo semântico e que venham em ordem decrescente de sílabas. Com essas técnicas e o estímulo adequado, muitas vezes o participante muda de nível na própria sondagem. Nesses casos, fica evidente que a defasagem se deu por pura falta de oportunidade.


Outras crianças e adolescentes conhecem o funcionamento do sistema alfabético, mas não são capazes de fazer uso social da leitura e escrita. É o caso de Marília. Ela realmente sabe muito sobre a escrita, pois relaciona corretamente os sons e as letras na grafia das palavras. No entanto, não consegue escrever ou ler diferentes tipos de texto. Nesse caso, a adolescente participa do “Quero Saber...Mais”, e é incentivada a aprimorar aquilo que já sabe em um contexto de letramento.


Parte da sondagem do "Quero Saber ... Valor"

O terceiro e último tipo de sondagem se destina aos adolescentes, com mais de 14 anos, que podem participar do "Quero Saber...Valor". O projeto oferece oportunidades de conhecer e vivenciar teorias e práticas do universo financeiro para que se organizem e se planejem diante dos desafios pessoais e profissionais que já estão surgindo nesta fase de vida e se apresentarão de maneira ainda mais desafiadora no momento do desacolhimento. Ao atingirem a maioridade, os jovens precisam sair dos Serviços de Acolhimento e, se não tiverem sido adotados ou retornado às famílias, precisarão buscar oportunidades de vida sozinhos. O objetivo é oferecer estímulos e caminhos para que reconheçam e enfrentem limites e dificuldades, dos cálculos matemáticos simples ao planejamento financeiro mais complexo, para conquista de sonhos materiais e imateriais.


Por meio de conversas e dinâmicas, a sondagem avalia o conhecimento dos adolescentes a respeito do valor/preço das coisas, da escrita monetária e suas noções matemáticas (operações fundamentais), além de reflexões a respeito de seus talentos e profissões que conhecem e desejam seguir.


As sondagens foram desenvolvidas pelo Instituto UNO como um instrumento de apoio na formação dos grupos que se desenvolvem nos SAICAs. Mas vai muito além disso. São peças fundamentais quando se pensa em uma educação focada em valores como forma de referenciar as crianças e adolescentes para práticas positivas. Práticas que transformam conflitos e desequilíbrios, de qualquer ordem, em força de ação, como uma forma de conectá-las com sua verdadeira essência.


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